| 29/08/2010 - 22:43 |
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Pelo hábito da leitura A doação de livros didáticos promovida pela Biblioteca Pública Municipal de Esteio é uma política pública generosa e simpática aos olhos do senso comum. É praticamente impensável uma crítica séria à ação de doar à população vulnerável oportunidades de aprendizado. O professor Mangabeira Unger, ao declarar publicamente apoio ao Governo Lula, o fez afirmando que desejava acertar pelo caminho indicado pelo metalúrgico presidente. Textualmente Mangabeira afirmou que torce para que as soluções dos dilemas da humanidade possam surgir a partir de um jovem, negro, integrante das classes populares que estariam se beneficiando com as políticas públicas adotadas por Lula.
O professor de direito fala com alguma propriedade, já que lecionou para celebridades, entre elas o presidente Barack Obama. É bastante óbvio que se olharmos com mais atenção para as políticas de doação de livros poderemos enxergar problemas possíveis e resultados indesejados. O olhar do segmento produtivo das livrarias poderia apontar como uma política que não fomenta o desenvolvimento de forma sustentável. Os livros são comercializados e o rompimento com essa relação sugere que a falta de leitura é um problema econômico. A iniciativa coloca em cheque a própria idéia de propriedade. Para os revolucionários de plantão a política pode ser vista com bons olhos. Porém, as políticas de doação são superficiais enquanto que os problemas da falta de acesso a cultura são estruturantes.
É de consenso entre os livreiros que campanhas de doação, de escambo ou das liquidações “torra torra”, são ações de motivação à leitura. Obviamente que os eventos tradicionais, a exemplo das feiras do livro, produzem mais efeito sobre a população leitora ao tempo que dá retorno econômico para o segmento. Não seria delírio pensar em organizar uma pequena feira de livreiros da cidade em torno do movimento de doação dos livros, pois fomentaria mais oportunidades de negócios para este segmento estratégico da cultura que necessita de muita atenção para se desenvolver. O Brasil vive um momento especial para ampliar sua população com hábitos de leitura. Cerca de 40 milhões de brasileiros ascenderam socialmente no último período. Essa população merece uma atenção especial do poder público para que o crescimento econômico possa ser convertido em desenvolvimento cultural. Também um olhar estratégico do mercado, para estabelecer a comunicação adequada e fazer com que o aumento do poder de consumo possa incluir nas famílias o hábito de comprar livros.