| 30/01/2010 - 02:05 |
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10 anos do Fórum Social Mundial e o risco do solilóquiohttp://charlesscholl.blogspot.comA Região Metropolitana de Porto Alegre passa a figurar como o local do planeta em que diversas mentes estão dispostas a pensarem alternativas para uma outra ordem mundial. Pode-se conceituar a realização do Forum Social Mundial por outras palavras, mas a grosso modo, a construção de um outro mundo possível é que orienta os pensadores das mais variadas etnias, culturas, idades, classes sociais, religiões, cidadanias e nacionalidades a des-penderem tamanha energia para a realização do evento. Os moradores da Região Metropolitana de Porto Alegre terão a oportunidade de interagir com tal diversidade no quintal de suas casas.
Estive acompanhando a construção do FSM 10 anos e do Acampamento Inter-continental da Juventude e acredito que a energia militante está mudando seu centro estratégico de ação. Quando o FSM nasceu, permitiu a vazão de uma reivindicação reprimida historicamente. O FSM unificou um grito de protesto e um contraponto ao Fórum de Davos. Neste tempo o foco do militante era o protesto. Passados 10 anos, tenho a impressão de que a realização do FSM da Região Metropolitana de Porto Alegre está, de fato, focada na elaboração de alternativas para um outro mundo possível. Pode-se perceber tal comportamento na preocupação de aprofundar os debates com as experiên-cias mais bem sucedidas, compartilhar conhecimentos, fortalecimento das refe-rências políticas con-seqüentes, pacíficas e capazes de mudar o mundo.
A realização do FSM na Região Metropolitana de Porto Alegre certamente impulsionará o desenvolvimento humano, seja pela simples quebra da rotina com a instalação de um portal transnacional no quintal de nossas casas, ou pela ação dos militantes que empenham toda sua energia vital para a transformação do mundo. Somente alguns terão consciência das benesses do evento, certamente aqueles que percebem o retorno imediato, seja pelas relações econômicas, culturais, de laser, além do público que está participando diretamente das atividades. Porém, se mais pessoas compreendessem as oportunidades trazidas pela realização de um evento desta magnitude, os ganhos se ampliariam e a velocidade de realização seria maior. Não há o que justifique o isolamento em uma situação assim. Os gestores públicos agiram corretamente ao apoiar a realização do FSM na Região, com visão estratégica de desenvolvimento para suas cidades, para a região, para o país e para o mundo.
A realização do encontro em si já é uma afronta ao cacoete da atomização da sociedade contemporânea. As dificuldades se ampliam com a geração zapping, que se orienta sob o signo da decepção1 e o vício da instantaneidade acaba lhe entupindo os ouvidos. Suas convicções sobre o que é satisfação e o que não interessa são tão claras que a luz de sua consciência ofusca toda e qualquer possibilidade de leitura para além de seu mundinho. Olhar para fora exige tolerância, ouvir outras experiências exige humildade, saber usar o espaço de troca de conhecimentos exige sabedoria. Pois mesmo os mais arrogantes de seus conhecimentos, sendo espertos, identificam a partir das experiências que não lhe servem o valor de suas idéias e convicções. Tais argumentos são suficientes para refletir sobre a realização dos 10 anos do FSM Grande Porto Alegre, buscar uma interação com o que está acontecendo no quintal de nossas casas e participar. Caso contrário, você poderá achar que o FSM não passa de um solilóquio, e quando perceber o equívoco o trem já passou e o solilóquio será seu.